Faz mais ou menos um mês quando li uma notícia no Terra sobre uma garota canadense que narrou em seu blog, seus últimos meses de vida. Nada muito incomum de se ouvir falar, já que o advento da internet vem trazendo cada vez mais, ferramentas e possibilidades para as pessoas se comunicarem em todo o mundo, seja pelo motivo que for.

(foto 65_redroseslivejournal)

O que me chamou a atenção nesta notícia no entanto, não foi o fato em si, e sim a trajetória inspiradora da personagem de uma vida tão virtual quanto real: Eva Markvoort. A matéria do Terra dá umas pinceladas sobre sua história, mas é no seu blog e em seus videos postados no site YouTube, que temos a oportunidade de conhecer através da própria Eva o que se passa no cotidiano, e principalmente na cabeça de uma pessoa que sabe que tem pouco tempo de vida.

(foto 65_redroseslivejournal)

Eva faleceu em março deste ano. Tinha 25 anos, completaria 26 em abril. Era estudante de artes cênicas e foi modelo. Era comunicativa e sempre bem-humorada. Acredito que essas características, muito similares as minhas, fizeram com que a história de Eva me atingisse de forma tão profunda. Ela nasceu e morreu com fibrose cística, uma doença incurável, não muito comum, que provoca acúmulo de muco nos pulmões. Passava a maior parte do tempo tossindo, de tempos em tempos no hospital, lutando para respirar melhor, como ela mesma dizia em seus posts.

Diferente de muitas pessoas nestas mesmas condições, Eva nunca deixou de tocar a sua vida e tentar fazer as mesmas coisas que uma jovem fazia na sua idade. Tinha uma fé inabalável e uma força de vontade absurda. Teve seus dois pulmões transplantados, recuperou a saúde, viajou, estudou, namorou, se divertiu. Sofreu a rejeição de seus novos pulmões e recomeçou sua tortuosa jornada de superação. Viveu a glória e a decepção juntas, e mesmo assim nunca perdeu a esperança. E continuou a postar.

Banner do documentário de 2009

Eva dizia que tinha uma missão. A missão de fazer campanhas para a pesquisa da cura e do tratamento da fibrose cística. A missão de encorajar e dar força a outras pessoas com a mesma doença que ela. A missão de  viver o bastante para contar a sua história. A missão de espalhar o amor pelo mundo afora. Todas as missões cumpridas com louvor.  O documentário 65_RedRoses (dirigido por Philip Lyall e Nimisha Mukerji) feito sobre a FC (fibrose cística) de Eva aumentou o número de doações de órgãos no Canadá em 100%. Aliás, um projeto super bem feito, muito esclarecedor que vale a pena ser visto.

O seu blog 65_RedRoses, que deu título ao filme, teve milhares de acessos e comentários vindos de todos os continentes. Eva recebeu centenas de cartas  que enfeitavam as pálidas paredes do quarto de hospital onde ficou a maior parte do tempo.  Ela chamava de “Wall of Love” (“Parede do Amor”).

Eva se formou, recebeu prêmios e condecorações e deu entrevistas. Foi amada e amou muito, como ela sempre gostava de escrever. Eva pouco reclamava. Não temia a morte, pois viveu uma vida plena. Viveu 100 anos em 25. Viveu com amor e é esse amor o seu maior legado. No vídeo em que ela se despede de seus leitores do blog e amigos virtuais, Eva disse: “Este é o fim da minha vida, mas não é o fim do meu amor.” Uma lição de vida que deveria ser levada mais a sério. A importância de um sentimento que só uma pessoa como Eva, poderia descrever de forma tão verdadeira. 


Despedida de Eva

A história de 65_RedRoses mudou algo dentro de mim. Pra melhor. Queria ter tido a chance de ter dito isso pra ela, em meio a seus milhares de seguidores virtuais. Pois eis aqui a minha chance de pelo menos aqui deixar isso registrado.

(foto 65_redroseslivejournal)

LOVE, LOVE, LOVE.


Video sobre a história de Eva


Mais sobre Eva Markvoort no
blog 65_RedRoses e na notícia do site Terra (clique aqui).

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