Mamma Mia! Até quem não gosta de musical é capaz de adorar este filme! O motivo principal, claro, tem um nome, e não é qualquer um, é O nome: MERYL STREEP, a maior e melhor atriz do cinema mundial atual (uma parcialidade digna de fã, eu sei). O segundo motivo especial, certamente deve-se aos momentos nostálgicos (para todos os públicos, indiferente da idade ou gosto) provocados por “The Winner Takes it All” e “Dancing Queen”, algumas das  ‘músicas chiclete’ do grupo ABBA, inspirador total desta adaptação cinematográfica da peça britânica de Catherine Johnson, que é sucesso na Europa.

Não que o filme não tenha outros atrativos, obviamente as interpretações hilárias da brilhante atriz britânica Julie Walters (a mesma de “Garotas do Calendário”, filme delicioso), e da também engraçadíssima Christine Baranski (da refilmagem de “Gaiola das Loucas” e “Segundas Intenções”) deram um toque a mais ao trio feminino veterano “Donna and the Dynamos”. O trio masculino do filme com Pierce Brosnan, Colin Firth e Stellan Skarsgård igualmente não deixou a desejar, já que ver três atores estereotipados como galãs do tipo sérios, atuarem com tanto bom humor e desprendimento cênico, personagens simples e clichês, foi realmente um achado.

Tanya, Donna e Rosie
The Dynamos: Tanya, Donna e Rosie

Uma das gratas surpresas vistas neste musical foi a interpretação da iniciante Amanda Seyfried, a Sophie, filha de Donna (Streep) e personagem principal da história, a qual gira em torno do seu prematuro casamento com o namorado Sky (o até então desconhecido ator Dominic Cooper). Entre as situações inusitadas no filme, desde o momento em que Sophie lê o diário da mãe, convida os supostos pais para seu casamento, até as ocasiões em que ela tenta lidar com o dilema de descobrir quem é realmente seu genitor, Amanda consegue apresentar com clareza e profundidade os variados tipos de emoções para cada cena, claro que tudo aliado à poderosa voz ouvida nas canções dialogadas no filme, voz esta pertencente mesmo à atriz, que tem também em sua formação artística, o canto e a dança. 

Aliás, em questão de opinião um dos melhores takes do filme são as cenas em seqüência, em que mãe e filha, horas antes do casamento, dividem momentos de intimidade e carinho, valorizando não só o potencial interpretativo das atrizes, mas também mostrando com simplicidade o relacionamento – geralmente estereotipado como controverso em nossas novelas – entre duas representações da família em nossa sociedade.  Nossa, fui a fundo no pensamento pseudosociológico, né?! Mas sou capaz de apostar que muitas mães e filhas vêem esta cena com os mesmos olhos que eu. Amanda Seyfried vem desta nova safra de jovens atrizes do cinema hollywoodiano, e até onde eu tenha conhecimento, seu filme de maior destaque foi exatamente em uma produção de bastande sucesso estrelada pela também jovem, mas muiiiito problemática atriz, Lindsay Lohan, no filme “Meninas Malvadas”.

Donna e Sophie
Momento mãe e filha: Donna e Sophie

No longa, Amanda interpreta a amiga loira-burra da personagem de Lohan, do grupo das populares da escola chamado “The Plastics” (“As Plastificadas”), uma clara crítica ao modelo americano escolar e seus grupos de excludentes e excluídos, no caso, populares e nerds. Uma personagem engraçada, mas que facilmente podia ser descartada da história, e no entanto depois de ver Mamma Mia!, cheguei a conclusão que foi um completo desperdício do talento da atriz, escondido (intencionalmente ou não) por trás do protagonismo de Lindsay Lohan e Rachel McAdams, a Regina George, outra ótima revelação vinda desta produção (antes disso, McAdams havia se lançado para o mercado na comédia “Menina Veneno”). Mamma Mia! lançou Amanda Seyfried para o estrelato, agora depende só dela virar uma estrela, seja ela marcada nas calçadas de Los Angeles, seja cadente nos céus de Hollywood.

Amanda Seyfried (à direita) com as colegas de elenco Lacey Chabert, Rachel McAdams e Linsay Lohan
Amanda Seyfried (à direita) com as colegas de elenco Lacey Chabert, Rachel McAdams e Lindsay Lohan

Agora o que realmente me inspira a falar sobre este filme, da diretora Phyllida Lloyd, é a  presença sempre marcante de Meryl Streep, motivo suficiente pra fazer valer o ingresso. Intérprete em filmes como “Kramer vs. Kramer”, “A Escolha de Sofia” , “Entre Dois Amores”, “As Pontes de Madison”, “Adaptação” e “Diabo Veste Prada” (pra citar alguns), ela sempre mostra uma versatilidade digna de uma ‘camaleoa’ do cinema, já que as mudanças e diferenças de cada personagem mostram quase que uma perfeição técnica no quesito interpretação. Dificilmente você vai se lembrar de um papel feito por Streep que seja parecido com qualquer outro anterior.

Meryl Streep, como Donna
Maravilhosa: Meryl Streep, como Donna

O mesmo acontece com Donna, personagem-chave de Mamma Mia!.  No auge de seus 59 anos, Meryl Streep pula, dança, canta (e canta bem!), ri e chora, tudo isto apresentando uma forma física de dar inveja à muita guria de 20 e poucos anos (como eu, por exemplo!). Sua jovialidade, como mãe de uma garota de 20 anos, é incrível. Aliás, as três veterenas do filme – todas com quase 60  – são a melhor representação da vida, do vigor e da juventude neste longa. Julie Walters então está impagável como a debochada e fogosa Rosie, responsável por boa parte do humor da história. Christine Baranski também com sua parcela de culpa, acrescenta demais com a perua e devoradora de casamentos/divórcios, Tanya. O sempre ocupado Sam, o aventureiro  Bill e o confuso  Harry, respectivamente o irlandês Pierce Brosnan, o sueco Stellan Skarsgård e o britânico Colin Firth complementam o  elenco internacional de estrelas, que liderado por Streep, carregam o filme nas costas.

Quem é o pai?
Bill, Sam ou Harry: Quem é o pai?

Considerada pelos críticos atuais como a melhor atriz viva de todos os tempos, 14 vezes indicada ao Oscar e ganhadora de 2, Meryl Streep continua soberana na arte de atuar. Até porque ser “odiada” por Katharine Hepburn e adorada por Bette Davis – simplesmente duas das melhores atrizes que já existiram – não é pra qualquer uma, né. Talvez não fosse por sua presença em Mamma Mia!, o filme cairia completamente nos ‘velhos novos’ moldes feitos atualmente com os musicais, que literalmente não chegam aos pés da magia e do encantamento de produções como “My Fair Lady”, “Amor Sublime Amor”, “Cantando na Chuva” e “Noviça Rebelde”. Pecam pelo exagero, pelos fracos diálogos e pela falta de criatividade.

Meryl Streep
A melhor: alguém duvida?

Mamma Mia! é divertido, com ótimas atuações, e de quebra traz o ABBA de novo à cena musical. Com uma aceitação extraodinária, o longa arrecadou mais de 559 milhões de dólares em todo o mundo. O estúdio responsável, Universal Pictures, o elenco e a direção estão conversando sobre a possibilidade de uma seqüência.  Se esta é uma idéia inteligente, não sei se acredito, mas ver  novamente Meryl Streep cantando e dançando na telona, realmente merece bis… 🙂

FICHA TÉCNICA
Mamma Mia! – The Movie

Diretor(a): Phyllida Lloyd
Roteirista: Catherine Johnson (autora da peça)
Elenco principal: Meryl Streep, Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Julie Walters, Colin Firth, Stellan Skarsgård, Christine Baranski e Dominic Cooper.
Distribuição/Estúdio: Universal Pictures

* Saiba mais sobre Mamma Mia! no site IMDB e no site oficial do filme.

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