Kathryn Bigelow and…Knockout!
Um 2010 nada óbvio para o cinema mundial. Pelo menos foi isso o que aconteceu na 82ª cerimônia do Oscar, premiação concedida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas norte-americana. Num ano que tinha tudo pra ser de James Cameron novamente, a exemplo de 1998 e seu “Titanic”, o premiadíssimo diretor acabou vendo sua ex-mulher e também cineasta, Katryn Bigelow, nocauteá-lo e praticamente ‘tomar a noite de assalto’, como dizem por aí.

Conquista: Katryn Bigelow, o roteirista Mark Boal e o elenco de "Guerra ao Terror" (photo Michael Caulfield – © WireImage.com)
Bigelow e seu “Guerra ao Terror” conquistaram os prêmios máximos da cerimônia, incluindo categorias técnicas como edição e mixagem de som, o que aliás tornou a derrota ainda mais amarga para os criadores de “Avatar”. Mas no dia 7 de março, data que antecedia o Dia Internacional da Mulher, elas foram os destaques. E quando digo elas, além de Bigelow, Sandra Bullock também entrou na dança levando para casa a estatueta de Melhor Atriz, premiada pela primeira vez, assim como a diretora.

Em dobro: Kathryn Bigelow é a primeira mulher a receber o Oscar de Melhor Direção, além do prêmio de Melhor Filme (photo Michael Caulfield – © WireImage.com)
Entre outros momentos interessantes, está a “até que enfim” merecida estatueta para Jeff Bridges, Christoph Waltz e Mo’nique garantindo o favoritismo, bem como ”Preciosa” e seu ótimo roteiro adaptado. Mas pode-se dizer que uma das maiores surpresas da noite foi a conquista do longa argentino “O Segredo dos teus Olhos” como Melhor Filme Estrangeiro, acabando com o “já ganhou” do alemão “A Fita Branca”. E não me espanta isso, já que os argentinos provaram em outras oportunidades (o oscarizado “A História Oficial” e “O Filho da Noiva”, pra citar alguns) que fazem um dos melhores cinemas da América do Sul, senão Latina também. Aliás, parece que temos muito o que aprender com eles. E eu tenho que ver mais cinema argentino.
Sobre a cerimônia, bem, pro meu gosto não podiam ter escolhido melhores apresentadores que o Steve Martin e o Alec Baldwin. Se separados eles são bons, juntos eles são ótimos. Os momentos mais gostosos do evento foram protagonizados pelos atores. A aparição de Ben Stiller como um personagem avatar também foi no mínimo, hilária. A bonita homenagem ao cineasta John Hughes, falecido em agosto de 2009, pelos principais atores que com ele trabalharam, tipos como Matthew Broderick, Macaulay Culkin, Jon Cryer e Molly Ringwald. Hughes foi o criador de ”Curtindo a Vida Adoidado” e “Esqueceram de Mim”, dois dos melhores filmes jovens dos anos 80 e início dos 90. Quase todos os bons eram dele. Outro ponto alto da cerimônia, na verdade o meu favorito, foi o momento que antecedeu as premiações das categorias de melhor ator e atriz, com os colegas que já trabalharam com os indicados, dando um breve depoimento sobre eles. Achei de uma delicadeza ímpar e podia ter sido extendido às demais categorias de atuação e direção também.

Entre acertos e um grande erro: homenagens emocionantes, momentos engraçados e Farah Fawcett esquecida. Mancada ou descaso?
Provavelmente isso não entrou no ‘schedule’ da produção do evento, devido ao considerável atraso para o início da premiação, e o corre-corre deu aquela sensação de “falta alguma coisa aqui e ali”. Não sei se fui só eu que achei o anúncio das categorias de Melhor Direção e Melhor Filme uma confusão só, me deu uma sensação de que não tinham a importância que têm ( e eu que sempre pensei que fossem as principais). Pois é, mas a grande cagada do evento (sim, porque só poderia chamar de cagada mesmo) foi o fato de terem esquecido Farrah Fawcett entre as homenagens póstumas do ano que passou, sendo que a atriz morreu no mesmo dia do rei do pop, Michael Jackson, que obviamente estava entre os homenageados. A desculpa da Academia é que Farrah não tinha tanta representatividade na telona como na telinha. Deixando de lado o status do super cantor, MJ tampouco era um astro do cinema. Independente de qualquer coisa, esquecer uma atriz conhecida como Farrah Fawcett é imperdoável.
Ah, e não me esqueci da Aposta Oscar 2010. Lá em casa conquistei meu tri-campeonato. Das 24 categorias acertei 14… Ah, tá de bom tamanho visto que fiz algumas escolhas inseguras e outras seguras demais. Abaixo segue a lista dos premiados e, dos meus acertos e erros, claro…
Melhor Filme
- “Guerra ao Terror”, de Kathryn Bigelow, Mark Boal, Nicolas Chartier e Greg Shapiro
Apostei no Avatar. Errei feio.
Melhor Ator
- Jeff Bridges, por “Coração Louco”
Aposta certa. Ponto para mim.
Melhor Atriz
- Sandra Bullock, por ”Um Sonho Possível”
Fui de coração na Meryl Streep. Mas foi justo, acredito.
Melhor Ator Coadjuvante
- Christoph Waltz, por “Bastardos Inglórios”
Melhor Atriz Coadjuvante
- Mo’Nique, por ”Preciosa – Uma História de Esperança”
Outro ponto. É, outra barbada.
Melhor Direção
- Kathryn Bigelow, por “Guerra ao Terror”
Esta aposta mudei na última hora. Gostei muito do filme e levei fé na mulher. Ponto.
Melhor Roteiro Original
- “Guerra ao Terror”, de Mark Boal
Melhor Roteiro Adaptado
- “Preciosa – Uma História de Esperança”, de Geoffrey Fletcher Aposta segura também. Mais um ponto.
Melhor Fotografia
- “Avatar”, de Mauro Fiore
Meio difícil ser diferente. Ponto. Já são 7.
Melhor Edição
- “Guerra ao Terror”, de Bob Murawski e Chris Innis
Outra aposta segura furada. Fui de “Avatar”.
Melhor Direção de Arte
- “Avatar”, de Rick Carter e Robert Stromberg
Óbvio. Ponto pra mim. 8.
Melhor Figurino
- “The Young Victoria”, de Sandy Powell
Quis ser diferente, sabendo que ía errar. Fui de “Coco Antes de Chanel”.
Melhor Maquiagem
- “Star Trek”, de Barney Burman, Mindy Hall e Joel Harlow
Fui de “The Young Victoria”. Acho que troquei as apostas no fim. Era tão certo o “Star Trek”. Não sei o que me deu (hehe!).
Melhor Trilha Sonora
- “Up – Altas Aventuras”, de Michael Giacchino
Melhor Canção Original
- The Weary Kind, “Coração Louco”, de Ryan Bingham e T Bone Burnett
Aposta segura, segundo o Globo de Ouro. 10.
Melhor Mixagem de Som
- “Guerra ao Terror”, de Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett
Este eu errei. “Avatar”.
Melhor Edição de Som
- “Guerra ao Terror”, de Paul N.J. Ottosson
Melhores Efeitos Visuais
- “Avatar”, de Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham e Andrew R. Jones
Incontestável, né. 12.
Melhor Animação
- “Up – Altas Aventuras”, de Pete Docter
Melhor Filme Estrangeiro
- “O Segredo dos Seus Olhos”, de Juan José Campanella (Argentina)
Fui com a corrente “Fita Branca”. Me dei mal. Preciso ver este filme.
Melhor Documentário
- “The Cove”, de Louie Psihoyos e Fisher Stevens
Melhor Documentário em Curta-Metragem
- “Music by Prudence”, de Roger Ross Williams e Elinor Burkett
Errei no chute².
Melhor Curta-Metragem de Animação
- “Logorama”, de Nicolas Schmerkin
Gostei muito do trailer do curta. Se tivesse visto antes… Fui de “Wallace and Gromit…”
Melhor Curta-Metragem
- “The New Tenants”, de Joachim Back e Tivi Magnusson
Fonte: fotos, videos e mais sobre a festa do Oscar no site IMDb e no especial do Terra.


Beibe, eu não vi o tal Guerra ao Terror, mas mesmo assim me atrevo a dizer que o J. Cameron merecia o Oscar de direção por avatar, ainda que o filme não fosse lá essas coisas em termos de história… Sério, o trabalho dele como diretor foi muito complexo, não sei se foi uma tentativa política da Academia de dar uma bola nas costas dele, mas…enfim, conseguiram! Mas não acho que Avatar merecia muito mais que isso mesmo. Beijo!
Cláudia Flores disse isso em 04/16/2010 às 7:11 PM |